De acordo com os dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística, 87% dos estudantes portugueses utilizam o computador e, destes, 75% ligam-se à Internet. Refere ainda a mesma estatística que 45% destes alunos o fazem em equipamentos existentes em casa.
Estes números indicam uma evolução tecnológica muito satisfatória, mas obrigam-nos a constatar que um número cada vez maior de jovens está sujeito não só aos aspectos positivos da Internet, mas também àquilo a que já se chama o seu "lado negro", ou seja, os sites que contêm referências a pornografia, violência ou promoção de drogas, álcool, vídeos violentos relacionados ao racismo, entre outros.
O tempo que os jovens passam online é importante para desenvolverem habilidades sociais e técnicas na sociedade da era digital, pois tal ajuda os jovens a criarem novas formas de expressão e regras de comportamento social. Navegar na Internet também ajuda os jovens a trabalhar com a informação das novas tecnologias, e saber lidar com isso é fundamental para inserção num mercado de trabalho cada vez mais sofisticado e exigente. Para além disso, se se conseguir retirar apenas da internet o que de bom pode fornecer aos jovens, é necessária a atenção de famílias, escolas e comunidades.
Isto para não falar do governo, empresas do sector das tecnologias de informação, órgãos de comunicação social, etc. É preciso ter uma especial atenção aos conteúdos impróprios, legais ou ilegais, tais como a pornografia, pornografia infantil, violência, ódio, racismo e outros ideais extremistas, pois estão facilmente disponíveis a crianças e jovens através de uma grande variedade de dispositivos. Para além de poderem ser inadequados e prejudiciais a um desenvolvimento harmonioso, podem mesmo ofender os padrões e valores segundo os quais pretende educar os seus filhos ou educandos. Podem-se ainda verificar contactos por parte de pessoas mal intencionadas, que usam o email, salas de chat, instant messaging, fóruns, grupos de discussão, jogos online e telemóveis para ganharem acesso fácil a crianças e jovens e que poderão desejar fazer-lhes mal e enganá-las, representando assim uma verdadeira ameaça. No comércio, as práticas comerciais e publicitárias que por vezes não são éticas, não distinguem a informação da publicidade, podem enganar crianças e jovens, promover a recolha de informações que violam a sua privacidade e promover a venda directa a crianças, atraindo-as a fazerem compras não autorizadas.
Hoje, a tecnologia coloca o mundo na palma da mão, quarto de dormir e salas de aula de crianças e jovens. Todas estas tecnologias dotam crianças e jovens com fontes de informação, ideias, ligações e recursos fantásticos e sem precedentes. Se tal pode significar facilidade de acesso a um manancial de recursos que são cruciais à sua educação e desenvolvimento, como vimos também pode significar toda uma série de novos riscos, perigos e ameaças que poderão não ser do conhecimento de famílias, escolas e comunidades ou com os quais estas podem não saber como lidar. Assim, se usadas de forma irresponsável e não segura, as novas tecnologias de informação e comunicação podem gerar mais problemas do que benefícios.
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